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Diverticulotomia de Zenker
Imagem meramente ilustrativa (Banco de imagens: Shutterstock)
5 min. de leitura

Procedimento é uma opção não cirúrgica para tratamento do divertículo de Zenker

O divertículo de Zenker é uma espécie de bolsa que se forma na junção da parte inferior da garganta com a parte superior do esôfago. Nessa área, há um ponto fraco, chamado triângulo de Killian; e, quando a pressão do alimento engolido na faringe é alta, o ponto fraco pode herniar, criando uma bolsa semelhante a uma sacola na parede posterior da faringe. Isso ocorre, entre outros fatores, porque o músculo que separa a garganta do esôfago, chamado músculo cricofaríngeo, não relaxa adequadamente durante a deglutição.

Os divertículos podem ter tamanhos variados, passando de pequenos (aqueles menores que 2 cm), a médios (entre 2 e 4 cm) ou grandes (maiores que 4 cm). Essa condição, mais comum em pessoas idosas, pode levar a sintomas como disfagia (dificuldade em engolir), regurgitação (refluxo do alimento engolido para a boca), tosse, mau hálito, sensação de “bola no pescoço” e até aspiração (alimento engolido entrando nos pulmões). Em graus mais avançados, o divertículo de Zenker pode levar ao baixo peso e à desnutrição.

A cirurgia endoscópica, chamada de diverticuloplastia ou de diverticulotomia de Zenker, pode corrigir esse defeito. Saiba detalhes sobre esse procedimento lendo o texto a seguir.

O que é a diverticulotomia de Zenker?

A diverticulotomia de Zenker consiste no tratamento endoscópico para o divertículo de Zenker sintomático. Por se tratar de um procedimento minimamente invasivo, não há incisões externas (cortes) e a recuperação do paciente é bastante rápida e eficaz, com baixas taxas de complicações e tempo pequeno de permanência no hospital.

Quando é indicada?

A diverticulotomia de Zenker é indicada para pessoas diagnosticadas com divertículo de Zenker que apresentam sintomas significativos. O seu objetivo é reduzir os sintomas e melhorar a deglutição. O procedimento não deve ser realizado em pacientes com queixas que possam ter uma causa diferente, como aqueles que apresentam dificuldades de deglutição como sequela de acidente vascular cerebral (AVC). Pacientes que não têm condições de se submeter a procedimentos sob anestesia geral também não são candidatos à diverticulotomia de Zenker.

Como é realizada a diverticulotomia de Zenker?

Para realizar a diverticulotomia de Zenker, inicialmente o paciente deve ser submetido à anestesia geral. Então, o médico endoscopista insere um endoscópio flexível pela boca até o esôfago. Esse equipamento possui uma câmera na sua extremidade, que transmite imagens em tempo real a um monitor.

Após uma avaliação da anatomia e da extensão do divertículo, coloca-se um dispositivo chamado de overtube, que estabiliza o divertículo e expõe a parede que separa o divertículo e o esôfago (septo). Então, pelo endoscópio, são inseridos os instrumentos que serão utilizados para cortar o septo, permitindo que os alimentos passem mais facilmente para o esôfago e reduzindo os sintomas. O músculo doente também é cortado, de forma a diminuir a chance de recidiva ou de sintomas residuais. Ao fim, realiza-se a clipagem do local de corte, a fim de minimizar o risco de infecções e sangramentos.

Cuidados antes e depois do procedimento

A preparação para a diverticulotomia de Zenker se assemelha ao preparo de uma endoscopia digestiva, embora possa ser necessário, por indicação médica, fazer um jejum mais prolongado ou uma dieta líquida na véspera para evitar que o divertículo de Zenker esteja cheio de alimentos no dia do exame. O médico também pode prescrever antibióticos antes da realização da diverticulotomia de Zenker para evitar infecções.

Medicações em uso ou condições prévias de saúde devem ser informados ao médico antes da diverticulotomia de Zenker.

Após o procedimento, o paciente habitualmente permanece internado por 24 a 48 horas para observação. Na ausência de sinais ou sintomas de complicações, o paciente recebe alta para casa.

Após o tratamento, é normal sentir um desconforto ou mesmo uma dor de intensidade ligeira na garganta, queixas estas que podem ser resolvidas com o uso de medicamentos analgésicos simples. O paciente pode sentir, ainda, nos primeiros 2 a 4 dias após a diverticulotomia de Zenker, um pouco de rouquidão.

A alimentação, em especial na primeira semana após a diverticulotomia de Zenker, deve ser líquida ou pastosa, passando posteriormente à dieta geral após 1 ou 2 semanas, dependendo da evolução e conforme orientação médica. Normalmente, a deglutição nos primeiros dias já apresenta melhora em relação ao período anterior à diverticulotomia de Zenker.

Nas 2 primeiras semanas após a diverticulotomia de Zenker, deve-se evitar a prática de atividades físicas intensas, principalmente as que envolvem a parte superior do corpo, assim como carregar peso. Deve-se evitar também dirigir ou operar máquinas pesadas na primeira semana.

Riscos e complicações da diverticulotomia de Zenker

São raros os casos de complicações na diverticulotomia de Zenker. A complicação mais temida é a perfuração, que pode causar um processo inflamatório e infeccioso nos tecidos do pescoço e do mediastino. Ocorre muito raramente e exige uma pausa alimentar mais prolongada e o uso de antibióticos endovenosos.

Apesar de rara, a hemorragia é outra complicação possível, podendo necessitar de tratamento endoscópico que geralmente resolve a situação. A complicação mais frequente, embora ainda assim rara, é o aparecimento de uma dor cervical ou torácica, mais forte que a dor ou desconforto habituais após a diverticulotomia de Zenker, e que necessita de analgesia mais intensa e prolongada.

Como escolher um profissional para realizar a diverticulotomia de Zenker

Quando realizada cuidadosamente por um médico especialista em endoscopia gastrointestinal, a diverticulotomia de Zenker tem uma taxa de sucesso de aproximadamente 85% no longo prazo para alívio dos sintomas.

Ao buscar por um profissional que realize o procedimento, pergunte qual é a taxa de sucesso e de complicações e avalie informações como:

  • A experiência do médico na realização da diverticulotomia de Zenker;
  • Se ele é membro de uma sociedade médica, como a Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED), e possui título de especialista em endoscopia;
  • Se ele faz o procedimento em centros médicos que contenham a infraestrutura necessária para a realização do procedimento e do tratamento de eventuais complicações.

 

Fontes:

Mayo Clinic

Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (SOBED)