Procedimento pode ajudar a tratar pessoas com gastroparesia persistente
Algumas pessoas sofrem de uma condição chamada gastroparesia, cuja característica principal é a demora do estômago em se esvaziar após a ingestão dos alimentos. Existem algumas opções de tratamento para essa doença, mas quando os sintomas são graves e não respondem a outros tratamentos, como modificações na dieta e medicamentos, o médico pode recomendar que seja feita uma piloromiotomia endoscópica, também conhecido como G-POEM. Saiba mais sobre o procedimento no texto a seguir.
O que é piloromiotomia endoscópica?
A piloromiotomia endoscópica, também conhecida como miotomia endoscópica peroral gástrica, ou G-POEM (sigla em inglês para gastric peroral endoscopic myotomy), é um procedimento minimamente invasivo, realizado sem cortes no abdômen e sem cicatrizes, para ajudar a tratar pessoas com gastroparesia persistente.
Em pacientes com essa condição, o esfíncter entre o estômago e o duodeno (piloro) é incomumente apertada, impedindo que o conteúdo do estômago se esvazie completamente no intestino. Com isso, é comum o paciente sentir sintomas como náusea, vômito, saciedade precoce e dor abdominal. A causa mais comum de gastroparesia é o diabetes, mas outras causas incluem distúrbios do sistema nervoso, como a doença de Parkinson, pós-cirúrgica, medicamentosa ou, ainda idiopática (sem causa bem definida).
A piloromiotomia endoscópica é uma alternativa à cirurgia para gastroparesia que alarga o esfíncter. Por ser minimamente invasiva, tem baixo risco de sangramento e outras complicações, menor tempo de internação e recuperação mais rápida.
Quando é indicada?
A principal indicação da piloromiotomia endoscópica é para pacientes que sofrem de gastroparesia com sintomas refratários e que não tiveram alívio dos seus sintomas com outros tratamentos.
Como a piloromiotomia endoscópica é realizada?
A piloromiotomia endoscópica é realizada em ambiente hospitalar com o paciente anestesiado. Durante o procedimento de piloromiotomia endoscópica, um endoscópio (um tubo estreito e flexível com uma câmera em uma de suas extremidades) é inserido pela boca do paciente até atingir o estômago (a câmera fornece informações que irão guiar o médico durante todo o procedimento ao transmitir imagens do interior do estômago para um monitor).
Pelo endoscópio, o médico insere instrumentos para fazer um pequeno corte na mucosa da parte final do estômago, perto da entrada do duodeno. Uma solução líquida é injetada nessa abertura e o endoscópio abre caminho para separar a mucosa do músculo, criando um túnel até identificação do esfíncter pilórico.
Quando o endoscópio atinge o piloro – a abertura entre o estômago e o duodeno – o médico, usando uma faca eletrocirúrgica especializada, corta os músculos circundantes para relaxar o esfíncter pilórico.
Na sequência, o médico fecha a incisão na mucosa do estômago utilizando pequenos clipes ou suturas e retira o endoscópio.
Cuidados antes e depois do procedimento
Antes de o médico realizar a piloromiotomia endoscópica, ele fornecerá instruções específicas a serem seguidas, como uma dieta específica e jejum nas 08 horas que antecedem a piloromiotomia endoscópica.
É importante que o médico seja informado sobre quaisquer condições de saúde existentes e também sobre o uso de medicamentos e suplementos. Se os medicamentos interferirem no procedimento, pode ser necessário suspender seu uso.
Após a piloromiotomia endoscópica, alguns pacientes podem precisar passar uma ou duas noites no hospital para observação.
Após receber alta, o paciente deverá seguir com uma dieta líquida ou pastosa por cerca de uma semana para que a cicatrização do revestimento do estômago ocorra. Depois disso, gradativamente podem ser inseridos alimentos com consistência mais sólida e, enfim, pode ser retomada a dieta habitual.
Caso faça uso de medicamentos, estes podem ser retomados, a menos que o paciente seja instruído de outra forma pelo seu médico. Também serão prescritos antibióticos, que podem ser tomados até sete dias após a realização da piloromiotomia endoscópica para prevenir infecções.
Pode ser necessário retornar ao hospital nos meses seguintes para que sejam realizados testes e acompanhamentos para avaliar os resultados da piloromiotomia endoscópica. A necessidade de exames para avaliar a melhora no esvaziamento do estômago é individualizada, sendo normalmente a melhora dos sintomas de náuseas, vômitos e empachamento o principal medidor de sucesso cirúrgico.
Dados mostram que mais de 70% dos pacientes que realizaram a piloromiotomia endoscópica relataram que seus sintomas de gastroparesia diminuíram ou desapareceram.
Riscos e complicações
Após a realização da piloromiotomia endoscópica, o paciente pode apresentar alguns efeitos colaterais, mas a maioria é temporária. Estes incluem:
- Dor abdominal;
- Dor de garganta;
- Infecção;
- Úlceras na região do piloro;
- Hemorragia;
- Pneumoperitônio (bolha de ar que se forma na cavidade peritoneal) ou entre os pulmões (pneumomediastino).
Em casos raros, o tecido cicatricial pode se formar ao lado do esfíncter pilórico, reduzindo a eficácia da piloromiotomia endoscópica.
Como escolher um profissional para realizar a piloromiotomia endoscópica
A piloromiotomia endoscópica deve ser realizada por um especialista em endoscopia gastrointestinal. Ao buscar por esse profissional, avalie sua experiência nesse procedimento, a taxa de sucesso e de complicações, se ele realiza a piloromiotomia endoscópica em centros hospitalares com infraestrutura para endoscopias avançadas e se conta com uma equipe multidisciplinar para oferecer o suporte necessário ao paciente.
Fontes:
Johns Hopkins Medicines
Sociedade Brasileira de Endoscopia Digestiva (Sobed)

