Infecções, traumas, doenças abdominais e complicações pós-cirúrgicas são as causas mais frequentes de ambas as condições
As fístulas e coleções abdominais são condições que causam desconforto, comprometem o bem-estar e podem trazer complicações sérias se o paciente não receber o tratamento adequado. Por essa razão, o diagnóstico precoce e o acompanhamento com um especialista são primordiais para o sucesso do tratamento de fístulas e coleções abdominais, especialmente em casos tardios e crônicos.
Ambas podem ter como causas infecções, traumas e doenças, mas surgem principalmente em decorrência de complicações após cirurgias abdominais.
A seguir, entenda melhor sobre os sintomas, causas, formas de diagnóstico e opções de tratamento de fístulas e coleções abdominais.
O que são fístulas abdominais?
Uma fístula é uma conexão anormal entre duas estruturas do corpo que não se comunicam normalmente. Portanto, as fístulas abdominais são aberturas que se formam entre dois órgãos internos ou entre um órgão interno e a superfície da pele.
Essas passagens ocorrem, geralmente, devido a infecções, lesões traumáticas, complicações cirúrgicas ou doenças inflamatórias intestinais, como a doença de Crohn e a colite ulcerativa.
As fístulas abdominais podem ser classificadas em três tipos principais:
- Fístula enterovesical ou retovesical: conexão entre o intestino ou reto e a bexiga;
- Fístula enterocutânea: conexão entre uma porção do trato gastrointestinal à pele, causando vazamento de fluidos;
- Fístula enteroentérica: conexão entre parte dos intestino;
As fístulas podem ocasionar diferentes sintomas, que podem variar de acordo com a localização e gravidade do caso. Os mais comuns são:
- Saída de secreção pela pele;
- Febre persistente;
- Dor abdominal;
- Alterações no funcionamento do intestino;
- Desnutrição e desidratação;
- Infecções de repetição;
- Dificuldade de cicatrização no local da cirurgia.
O que são coleções abdominais?
Coleções abdominais, também chamadas de abscessos intra-abdominais, são acúmulos anormais de líquido, geralmente pus ou secreção inflamada, no interior da cavidade abdominal, que podem estar associadas a fístulas. Elas surgem como resposta do organismo a infecções, inflamações ou traumas, sendo bastante comuns após cirurgias abdominais ou perfurações de órgãos internos.
As coleções podem ocorrer em qualquer órgão intra-abdominal, na cavidade pélvica, na região subfrênica (abaixo do diafragma), ou até mesmo entre as alças intestinais.
Os sintomas geralmente envolvem dor abdominal localizada, febre alta e calafrios, sensação de mal-estar generalizado, diminuição do apetite, perda de peso e distensão abdominal.
O risco dessas coleções está na possibilidade de disseminação da infecção, o que pode evoluir para quadros graves como sepse.
Diagnóstico das fístulas e coleções abdominais
O diagnóstico é parte fundamental para determinar o melhor tratamento para fístulas e coleções abdominais. O diagnóstico de ambas as condições envolve uma combinação de avaliação clínica e exames de imagem, como:
- Tomografia computadorizada (TC);
- Ultrassonografia abdominal;
- Ressonância magnética;
- Fistulografias ou exames com contraste;
- Ultrassonografia endoscópica (ou ecoendoscopia).
Esses exames permitem visualizar a extensão da fístula, a localização exata da coleção, o volume de líquido e possíveis órgãos acometidos. O diagnóstico precoce é essencial para indicar a melhor abordagem terapêutica.
Quais são as opções de tratamentos para fístulas e coleções abdominais?
O tratamento de fístulas e coleções abdominais depende de vários fatores, como:
- Gravidade da condição;
- Localização da fístula ou coleção;
- Estado clínico do paciente;
- Presença de infecção ativa;
- Origem da complicação (pós-cirúrgica, inflamatória ou traumática);
- Tempo de evolução.
Tratamento conservador
Em casos de menor gravidade, principalmente quando a fístula é pequena e não compromete significativamente as estruturas envolvidas, é possível adotar uma conduta conservadora com:
- Antibióticos para controlar a infecção;
- Mudanças na alimentação para reduzir o vazamento de secreção;
- Uso de curativos especiais para proteger a pele ao redor da fístula;
- Controle da drenagem espontânea, quando presente.
Drenagem percutânea guiada por imagem
No caso das coleções abdominais, a drenagem percutânea é uma opção eficaz e minimamente invasiva. Com o auxílio de aparelhos de ultrassonografia ou tomografia, o médico insere um cateter para remover o conteúdo purulento e aliviar a infecção.
Essa técnica evita a necessidade de uma drenagem cirúrgica e normalmente são utilizados antibióticos para evitar a propagação da infecção.
Tratamento endoscópico de fístulas gastrointestinais e coleções abdominais
A terapia endoscópica consolidou-se como abordagem de primeira linha para fístulas, por oferecer alternativa minimamente invasiva e com altas taxas de sucesso. A escolha da técnica depende do tamanho, localização e tempo de evolução do defeito, além da presença de coleções associadas.
As próteses metálicas autoexpansíveis (SEMS) são amplamente utilizadas, especialmente em esôfago e estômago, permitindo vedamento imediato e manutenção da alimentação enteral. Clipes over-the-scope (OTSC) apresentam eficácia para defeitos pequenos ou médios, enquanto clipes convencionais são reservados para orifícios milimétricos.
Sistemas de sutura endoscópica permitem o fechamento de defeitos maiores ou persistentes, enquanto a terapia endoscópica a vácuo (Endoscopic Vacuum Therapy – EVT) vem ganhando destaque, sobretudo em vazamentos esofágicos, ao proporcionar drenagem contínua e estímulo à granulação tecidual. Em muitos casos, adota-se abordagem multimodal, associando drenagem, desbridamento e fechamento. O diagnóstico precoce e a intervenção imediata são fundamentais para o sucesso terapêutico.
Paralelamente, coleções abdominais — incluindo abscessos pós-operatórios ou acúmulos de líquidos decorrentes de perfuração, pancreatite ou fístulas — podem ser tratadas de forma eficaz por via endoscópica, reduzindo a necessidade de drenagens percutâneas ou cirurgias. A drenagem transluminal guiada por ultrassom endoscópico (ecoendoscopia) permite acesso preciso e seguro às coleções adjacentes ao trato digestivo.
Após a punção, estabelecem-se trajetos de drenagem por meio de próteses plásticas, metálicas totalmente cobertas ou, mais recentemente, próteses metálicas autoexpansíveis de aposição luminal (LAMS), que criam um canal de grande calibre para evacuação eficiente. Coleções com debris necróticos, como na necrose pancreática organizada, podem necessitar de sessões seriadas de necrosectomia endoscópica através do trajeto da prótese.
Em comparação a métodos cirúrgicos ou radiológicos, a drenagem endoscópica associa-se a menor tempo de internação, redução de complicações, ausência de cateteres externos e melhor qualidade de vida.
Cirurgia
Uma intervenção cirúrgica também está na lista dos tratamentos de fístulas e coleções abdominais e pode ser necessária quando:
- O tratamento conservador ou minimamente invasivo não se mostra eficaz;
- A fístula é grave, envolvendo grande volume de secreção;
- Há múltiplas coleções;
- Há comprometimento extenso de alças intestinais ou órgãos;
- Há sinais de infecção abdominal generalizada.
A cirurgia pode incluir a ressecção da área afetada, fechamento da fístula, limpeza da cavidade abdominal e colocação de drenos abdominais.
O tratamento de fístulas e coleções abdominais também inclui a cura da doença subjacente para prevenir a recorrência e agravamento do caso.
Qual o profissional indicado para o tratamento de fístulas e coleções abdominais?
O tratamento de fístulas e coleções abdominais deve ser conduzido por um cirurgião do aparelho digestivo ou um cirurgião geral com experiência em doenças abdominais complexas. Esse profissional é qualificado para avaliar a gravidade do caso, indicar os exames adequados e decidir qual a abordagem terapêutica mais adequada, dispondo do auxílio de uma equipe multidisciplinar composta por endoscopista, radiologista intervencionista, nutricionista e infectologista, dependendo das particularidades do caso.
Para saber mais sobre o tratamento de fístulas e coleções abdominais, entre em contato e agende uma consulta com o Dr. Vitor Brunaldi.
Fontes:
Cleveland Clinic
Hospital Albert Einstein

